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Destaque
Crissiumal Vista de Cima: Bairros Mirador e Cristina
Guia Crissiumal e Guia+ TV levam ao ar nesta quinta-feira (15/10) a sequência da série de documentários em imagens aéreas mostrando locais, localidades, bairros e outros, do projeto CRISSIUMAL VISTA DE CIMA.
Nosso 19º episódio mostra os bairros Mirador e Cristina.
Crissiumal Vista de Cima – Episódio 19 – Bairros Mirador e Cristina #imagemaerea
Por Guia Crissiumal — Com colaboração de Marcia Niederle e pesquisa no Portal de Legislação do Município
Quem transita hoje pelas estradas do interior do nosso município pode não imaginar, mas, nos primeiros anos após a emancipação política de Crissiumal, os dias de chuva exigiam um controle rigoroso do tráfego municipal. Na década de 1950, a Prefeitura mantinha normas específicas e uma estrutura dedicada a proibir a circulação de veículos de carga e carroças carregadas nas estradas de chão batido quando chovia, visando preservar a infraestrutura viária e evitar o atolamento e a destruição das vias.
Essa curiosidade histórica e marcante da nossa região veio à tona a partir de documentos históricos disponibilizados pela seguidora do Guia Crissiumal, Marcia Niederle, combinados com pesquisas efetuadas no Portal de Legislação do Município.
A Lei Municipal nº 119/1956
Em 18 de outubro de 1956, o então prefeito municipal, Lauro Pedro Thomaz, sancionou a Lei Municipal nº 119/1956, que alterou e regulamentou a proibição do tráfego de veículos em dias chuvosos nas estradas do interior. A legislação trazia regras claras:
•Proibição geral: Ficou estritamente proibido o tráfego de veículos de carga, inclusive de carroças carregadas, durante os dias de chuva.
•Exceções: Estavam isentas da proibição as caminhonetes destinadas ao transporte de pessoas, enquanto os ônibus precisavam ser dotados de rodados duplos. Em casos especiais devidamente comprovados, veículos de carga podiam trafegar, desde que estivessem vazios.
•Penalidades e multas: A infração previa multas no valor de Cr$ 1.000,00 (hum mil cruzeiros) para veículos e Cr$ 200,00 para carroças carregadas. Em caso de reincidência, os valores dobravam, independentemente da obrigação de indenizar eventuais danos causados às vias.
•Fiscalização no local: A autuação era feita no próprio local. Caso o condutor optasse por prosseguir viagem sem quitar a multa, a atitude era automaticamente enquadrada como reincidência.
Cancelas e Fiscais Remunerados no Interior
Para garantir o cumprimento da lei, a municipalidade contava com fiscais credenciados posicionados estrategicamente em pontos chave e cancelas instaladas nas estradas rurais.
Documentos oficiais da época comprovam como funcionava esse serviço na prática:
1.Portaria nº 98-A/55 (10 de dezembro de 1955): O Prefeito Lauro Pedro Thomaz nomeou o Sr. Oswaldo Naher para exercer as funções de inspetor seccional de Lajeado Grande (Zona Grossmann).
2.Portaria nº 96/57 (15 de julho de 1957): Determinou o pagamento de uma diária de Cr$ 70,00 ao Sr. Oswaldo Naher por dia de chuva trabalhado no atendimento da cancela da estrada de Lajeado Grande, além de uma gratificação mensal de Cr$ 200,00 prestada pelos serviços de fiscalização.
Esses registros mostram a organização do município no período inicial de sua história, utilizando cancelas físicas e servidores encarregados de monitorar o trânsito nos dias chuvosos para evitar que caminhões e carroças degradassem as rotas de escoamento e acesso.
Resgate da Memória Local
O levantamento revela a adaptação das comunidades do Noroeste Gaúcho em uma época de estradas não pavimentadas, em que a preservação do leito das vias era essencial para garantir a mobilidade de passageiros e o transporte emergencial.
Agradecemos à leitora Marcia Niederle pelo envio das portarias históricas que enriquecem o acervo e a memória cultural do nosso município!
Indústria de Calçados Dilly Sports fecha as portas em Crissiumal RS
Grande parte dos funcionários parou de trabalhar nessa quarta-feira
A Dilly Sports está fechando a sua indústria de Crissiumal RS, conforme já era previsto e anunciado desde o mês de agosto.
A planta industrial já está há alguns dias sem produzir, alguns trabalhadores já haviam sido dispensados e grande parte parou de trabalhar nessa quarta-feira, dia 14 de outubro, ao final do turno da manhã. A reportagem do Guia inclusive conversou com alguns desses trabalhadores.
Segundo informações que o Guia buscou, um pequeno grupo de lideres da indústria ainda irá trabalhar até o final do mês, para o recolhimento de materiais. Ao todo, são pouco mais de 100 trabalhadores demitidos.
A unidade da Dilly Sports em Crissiumal deixou de ser viável economicamente para a empresa principalmente em razão da perda de mercado nas exportações para outros países do Mercosul. Os calçados produzidos na unidade local tinham como destino, em grande parte, esses mercados
O Guia Crissiumal conversou no início da manhã dessa quarta com o prefeito de Crissiumal Marco Aurélio Nedel e ele reforçou a informação que havia adiantado em coletiva de imprensa em agosto: O Município e a própria Dilly seguem em busca e contato com possíveis empresas interessadas em ocupar o espaço, que é de propriedade da Prefeitura de Crissiumal. Uma definição é mais provável para depois das eleições do dia 25, segundo Nedel.
Ao mesmo tempo que fecha sua unidade de Crissiumal, a Dilly abre nova indústria, onde se fala até em 2000 empregos, em Pentecoste, no Ceará. Também nos últimos dias a calçadista firmou um grande acordo, onde fabricará e distribuirá calçados infantis da Reebok no Brasil.
A Dilly Sports iniciou sua operação em Crissiumal em 2023, assumindo prédio e muitos dos funcionários da Malu Calçados, que atuou em Crissiumal entre 2007 e 2023, empregando 500 em seu melhor momento. Antes da Malu, a Reichert Calçados manteve indústria em Crissiumal entre 1986 e 2007, na grande crise de desvalorização do dólar.
Nossa reportagem tentou contato com a direção da empresa, para um posicionamento oficial, mas não obteve retorno.
Além dos impactos imediatos deixados pelo fechamento, com mais de 100 trabalhadores deixando de receber seus salários, deixando de gastar no comércio local, o município também deixará de arrecadar um valor significativo.